O que é
Não é a mesma coisa
que a escoliose adolescente
A escoliose degenerativa do adulto (ADS) tem causas, mecanismos e tratamento completamente diferentes da AIS.
A escoliose degenerativa do adulto é definida como uma curvatura lateral da coluna (≥10° de Cobb) que se desenvolve após a maturidade esquelética em uma coluna previamente normal. Não é a AIS que "voltou" — é uma condição nova, causada pelo envelhecimento assimétrico dos discos intervertebrais e articulações facetárias.01
A prevalência é surpreendentemente alta: afeta 30% da população acima de 60 anos — muito mais que a AIS. Com o envelhecimento da população, tornou-se um dos problemas de coluna mais comuns da medicina moderna.02
Há também um segundo grupo: adultos que tiveram AIS leve e não tratada na adolescência, e que desenvolvem progressão tardia por desgaste assimétrico sobre uma curva já existente. Esses casos são chamados de "AIS do adulto" — tecnicamente diferentes da degenerativa de novo.
AIS — Adolescente
Idiopathic Scoliosis · 11–18 anos
Causa
Desconhecida (genética)
Localização típica
Torácica (direita)
Sintoma principal
Geralmente sem dor
Progressão
Durante crescimento
Tratamento
Colete + PSSE + cirurgia
ADS — Degenerativa
Adult Degenerative Scoliosis · 50+ anos
Quando surge
Após os 50–60 anos
Causa
Artrose, discopatia, osteoporose
Localização típica
Lombar / toracolombar
Sintoma principal
Dor lombar (90% dos casos)
Progressão
Com envelhecimento
Tratamento
Fisio, injeções, cirurgia seletiva
Causas
Por que a coluna
curva com a idade
O mecanismo é o desgaste assimétrico. Ao longo da vida, discos e articulações facetárias se desgastam. Quando esse desgaste não é simétrico entre os dois lados de um mesmo nível vertebral, cria-se uma inclinação. Múltiplos níveis com inclinação assimétrica somam-se em uma curva progressiva.03
Fatores que aceleram a progressão:
Osteoporose — vértebras com menor densidade óssea são mais suscetíveis à deformação assimétrica sob carga. É o fator modificável mais importante.
Obliquidade pélvica — diferença no comprimento das pernas ou problema no quadril cria inclinação pélvica que a coluna compensa com curvatura.
Sedentarismo — musculatura paravertebral fraca perde a função estabilizadora. A coluna passa a depender mais de estruturas passivas (ligamentos, cápsulas) que se desgastam mais rápido.
Cirurgia anterior de coluna — fusões em outros níveis alteram a distribuição de cargas e podem acelerar desgaste nos níveis adjacentes.
Progressão
Como a condição
evolui
Fase inicial
Dor lombar inespecífica
Dor no baixo dorso, às vezes assimétrica. Rigidez matinal. Muitos pacientes atribuem ao "cansaço" ou "postura ruim" sem investigar. Raio-X pode mostrar curva leve (10–20°).
Fase moderada
Dor + desequilíbrio postural
Dor lombar mais persistente, irradiação para glúteos e coxas. Desequilíbrio do tronco visível. Dificuldade para caminhar longas distâncias. Curva de 20–40°.
Fase avançada
Estenose + claudicação
Compressão das raízes nervosas. Dor irradiada para as pernas (ciática), fraqueza, formigamento. Claudicação neurogênica — dificuldade de caminhar sem sentar para "dar um alívio". Consideração cirúrgica.
Tratamento
Opções de
tratamento
O objetivo na ADS é diferente da AIS: não é crescimento, é qualidade de vida e alívio de dor.
1ª
Fisioterapia e exercícios
Primeira linha. PSSE adaptados para adultos, fortalecimento de core, hidroginástica. Reduz dor e melhora função. Continuidade a longo prazo é essencial.
2ª
Farmacológico e injeções
Anti-inflamatórios para crises. Injeções epidurais de corticoide para alívio de dor radicular. Bloqueios facetários para dor mecânica. Duração temporária — não alteram a doença.
3ª
Cirurgia (casos selecionados)
Reservada para déficit neurológico progressivo, dor refratária intratável ou instabilidade grave. Mais complexa e com maior risco que em adolescentes. Risco-benefício rigoroso.
Atenção especial
Osteoporose é o fator modificável mais importante.
Pacientes com ADS e osteoporose têm progressão mais rápida e maior risco cirúrgico (parafusos não fixam bem em osso osteoporótico). Tratar a osteoporose não é opcional — é parte do tratamento da escoliose degenerativa. Densitometria óssea, cálcio, vitamina D e medicamentos específicos (bisfosfonatos, denosumabe) devem ser avaliados com endocrinologista ou reumatologista.