Para cirurgiões de coluna · Dados de 1.057 casos

Artrodese de
escoliose —
os números.

Dados perioperatórios de estudos multicêntricos e series de casos de alto volume. PSF com parafusos pediculares. Resultados reais.

146min
Tempo operatório médio (PSF)
Chan et al. · 1.057 casos · BMC 2021
953mL
Sangramento intraoperatório médio
Chan et al. · 1.057 casos · BMC 2021
3,5dias
Internação média pós-operatória
Chan et al. · 1.057 casos · BMC 2021
0,95%
Taxa de complicações maiores
Chan et al. · 1.057 casos · BMC 2021
0,47%
Déficit neurológico transitório
Chan et al. · 1.057 casos · BMC 2021
Comparação cirúrgica

PSF vs. VBT — o estado da arte

Artrodese posterior com parafusos pediculares (padrão ouro) versus Vertebral Body Tethering (não-fusão). Indicações, resultados e limitações atuais.

Artrodese Posterior
Posterior Spinal Fusion · PSF
Padrão ouro
Correção do Cobb
55–65%
Manutenção 10 anos
55% (vs 63% inicial)
Taxa complicações
0,95% maiores · 1,32% menores
Déficit neurológico
0,47–0,69%
Tempo operatório
146 min (média)
Sangramento
953 mL (média)
Internação
3,5 dias
Fusão
Permanente
Indicação Cobb
> 45°–50°
Risser
Qualquer
Evidência
Nível I–II · Longo prazo
VBT — Tethering
Vertebral Body Tethering · FDA 2019
Não-fusão
Correção do Cobb
49° → 23° (média)
Taxa de sucesso (FE ≤35°)
88% vs 60%*
Rotura do tether
50% em 36 meses
Taxa de revisão
15% (pulmonar + tether)
Complicações totais
18%
Fusão secundária (<5%)
< 5% dos casos
Abordagem
Anterior (VATS)
Indicação Cobb
35°–65° (ideal <55°)
Risser
0–2 obrigatório
Evidência
Nível II · Seguimento curto

*FE = First Erect image. 88% de sucesso quando Cobb ≤35° na primeira imagem em pé. Fonte: Multicenter VBT Study · PMC12784004 · 2025.

Perfil de complicações

PSF — complicações
em 1.057 casos.

Série prospectiva de alto volume. PSF com parafuso pedicular exclusivo. 2012–2019.

Infecção superficial
1,14%
Déficit neurológico transitório
0,47%
Infecção profunda
0,19%
Síndrome art. mesentérica superior
0,19%
Sangramento massivo / Convulsão / Atelectasia
0,09% cada
Total complicações maiores
0,95%
Total complicações menores
1,32%

Fonte: Chan CYW et al. Perioperative outcome and complications following single-staged PSF using pedicle screw instrumentation in AIS: a review of 1,057 cases. BMC Musculoskelet Disord. 2021. PMC8097957.

Evolução temporal

Taxa de complicações ao longo do tempo

18,7%
1995–1999
Era dos ganchos
5,09%
2010–2013
Transição para parafusos
0,95%
2012–2019
Parafuso pedicular exclusivo
Classificação de Lenke

Distribuição por tipo de curva

Selecione o tipo Lenke para ver indicação cirúrgica e padrão de fusão. Na maior série publicada: Lenke 1 predomina (46,9%).

1
46,9%
Torácica principal
2
~8%
Torácica dupla
3
~10%
Dupla maior
4
~5%
Tripla maior
5
~22%
Toracolombar/Lombar
6
~8%
TL/L principal
Monitoramento Neurofisiológico Intraoperatório

IONM — padrão de segurança

Monitoramento multimodal (MEP + SSEP) é padrão em centros de alto volume. Permite ação imediata antes de déficit instalado.

Taxa neurológica histórica (1.301 casos)
0,69%
Taxa de complicação neurológica em AIS com PSF — SDSG (Spinal Deformity Study Group). Inclui déficits transitórios e permanentes.
Risco em curvas severas (>100°)
↑↑
Curvas extremas (Cobb >100°) têm risco neurológico substancialmente maior. IONM não é opcional nesses casos — é mandatório.
Modalidades recomendadas
MEP + SSEP
Potenciais Evocados Motores (MEP) monitoram via motora. SSEP monitora via sensitiva. Combinação aumenta sensibilidade e especificidade.
Critério de alerta clínico
>50%↓
Queda >50% na amplitude do MEP ou >10% na latência do SSEP requer ação imediata. Protocolo: corrigir hipotensão, MAP, temperatura e considerar recuo da correção.
Protocolo ERAS

Enhanced Recovery — o que muda

Meta-análise de 25 estudos, 15.399 pacientes: ERAS reduz internação em 1,68 dias, custo em USD 3.765 e sangramento em 159 mL. PMC11878361 · 2025.

Pré-operatório
Otimização nutricional (IMLAC ≥ 27 g proteína/dia)
Carbo-loading 2h antes da cirurgia
Suspensão de tabagismo ≥6 semanas
Premedicação analgésica (gabapentina, acetaminofeno)
Ácido tranexâmico em dose alta (antes da incisão)
Educação do paciente e família sobre recuperação
Fisioterapia respiratória preventiva (se CFR alterada)
Intraoperatório
Ácido tranexâmico em infusão contínua
MAP alvo ≥ 65 mmHg (ajuste conforme IONM)
Temperatura central monitorada e mantida
Analgesia multimodal (redução de opioides)
Infiltração local com bupivacaína
Cell saver (casos com sangramento previsto >500 mL)
IONM multimodal (MEP + SSEP)
Pós-operatório
Mobilização precoce (dia 1 pós-op)
Alimentação oral precoce (4–6h após extubação)
Analgesia multimodal (AINEs + acetaminofeno + gabapentina)
Redução de opioides (PCA morfina apenas se necessário)
Fisioterapia respiratória ativa
Remoção precoce de cateter e drenos
Critérios de alta objetivos (não tempo fixo)
−1,68
dias de internação
−$3.765
custo/paciente (USD)
−159
mL sangramento
↓
complicações gerais

Fonte: Meta-análise ERAS em cirurgia pediátrica de coluna · 25 estudos · 15.399 pacientes · PMC11878361 · 2025.

Linha do tempo clínica

Recuperação pós-artrodese

Marcos clínicos esperados. ERAS protocol. Adolescente em bom estado geral.

Dia 0 — Cirurgia
Extubação e UTI/SRPA
Maioria extubada ao final da cirurgia. Monitoramento intensivo. Analgesia multimodal iniciada. Movimentação passiva de membros inferiores.
MEP/SSEP check pós-opAnalgesia IV
Dia 1
Mobilização precoce
Sentar à beira do leito com fisioterapia. Alimentação oral retomada. Cateter retirado. Transição para analgesia oral quando tolerado.
ERAS ativoFisio motora
Dias 2–4
Deambulação e alta hospitalar
Deambulação assistida. Alta média: 3,5 dias. Drenagem retirada. Orientações para casa. Analgesia oral.
Alta ~3,5 dias
Semanas 2–4
Retorno gradual às atividades
Retorno à escola possível em 4–6 semanas. Sem carregar peso. Sem dirigir. Fisioterapia de reabilitação inicia.
Mês 3
Raio-X de controle
Avaliação da correção e início de fusão. Liberação progressiva de atividades.
Mês 6–12
Retorno ao esporte
Esportes sem contato: 3–6 meses. Esportes de contato: 6–12 meses com avaliação individual.
1 ano
Fusão óssea confirmada
Fusão confirmada radiologicamente. Acompanhamento anual por 2 anos. Implantes permanentes — sem necessidade de retirada de rotina.
Critérios de seleção cirúrgica

Quando operar?

Indicação clássica
Cobb > 45°–50° em paciente em crescimento (Risser 0–2). Ou Cobb > 50° independente da maturidade com progressão documentada.
Indicação por comprometimento
Déficit neurológico em progressão. Comprometimento pulmonar significativo (CVF <50% em curvas >80°). Dor incapacitante refratária ao tratamento conservador.
Contraindicação relativa
Osteoporose grave não tratada. Comorbidades clínicas de alto risco cirúrgico não otimizadas. Tabagismo ativo (aumenta pseudoartrose). Infecção ativa.
O debate Cobb 40°–50°
Zona cinzenta. Decisão individualizada: taxa de progressão, tipo de curva, maturidade óssea, preferências do paciente/família. Segunda opinião recomendada.