Uma das perguntas que mais assusta adolescentes e adultas com escoliose. A resposta da ciência é muito mais tranquilizadora do que os medos sugerem.
"Mulheres com escoliose não podem ter filhos"
Não há contraindicação para gravidez na escoliose. Fertilidade não é afetada. Milhares de mulheres com escoliose têm gravidezes e partos normais.
"A gravidez vai piorar muito minha curva"
Estudos mostram que gravidez não causa progressão significativa em curvas abaixo de 30°. Curvas maiores (>30°) podem ter alguma progressão, mas o risco é moderado.
"Não posso tomar anestesia peridural por causa da escoliose"
Anestesia epidural é possível na maioria dos casos. Em pacientes operadas com fusão lombar, a técnica pode ser mais difícil — mas experiente anestesiologista consegue na maioria das vezes.
"Preciso fazer cesariana por causa da escoliose"
Escoliose por si só não é indicação de cesariana. A decisão é obstétrica e depende de outros fatores. Pacientes operadas podem ter parto normal — avalie com obstetra.
"Meu filho vai ter escoliose com certeza"
Existe componente genético, mas não é determinístico. Filhos de mães com AIS têm risco aumentado (~11%) mas não certeza. A maioria das crianças de mães com escoliose não desenvolve a condição.
"Amamentação é prejudicada pela escoliose ou pela cicatriz"
Amamentação não é afetada pela escoliose nem pela cirurgia de artrodese. A cicatriz fica nas costas — sem impacto anatômico na amamentação.
Anestesia regional (epidural, raqui) geralmente sem dificuldade adicional em escoliose leve a moderada não operada. Espaço interlaminar pode estar modificado — avalie nível de punção.
A fusão espinhal pode dificultar a punção epidural/raqui — depende da extensão da fusão e dos níveis incluídos. Fusão não estende até L5–S1: punção abaixo do construto geralmente possível.
Curvatura pode desviar a agulha. Calcificações sobre o material de síntese podem bloquear o acesso. Em casos de fusão extensa até L4 ou L5, o acesso ao espaço epidural lombar baixo pode exigir maior habilidade técnica.
Consulta com anestesiologista experiente no 3° trimestre — antes do trabalho de parto. Revisar imagens da cirurgia prévia (RX ou relatório cirúrgico). Documentar níveis fusionados. Plano B definido antecipadamente.