Para adultos · Diagnóstico tardio

Escoliose
no adulto.

Seja de novo ou de uma AIS não tratada que progrediu — a escoliose do adulto tem características, desafios e opções de tratamento completamente diferentes da adolescente.

30%
dos adultos acima de 60 anos têm algum grau de escoliose degenerativa
~1°
por ano de progressão média em curvas >30° após a maturidade esquelética
90%
dos adultos com escoliose têm dor como sintoma principal (vs. deformidade nos adolescentes)
Dois cenários distintos

Qual tipo de adulto?

O manejo é completamente diferente conforme a origem da curva e a presença de degeneração.

AIS não tratada que progrediu
Escoliose idiopática
no adulto

Paciente com AIS diagnosticada na adolescência que chegou à vida adulta com curva estabilizada ou em lenta progressão. O padrão da curva é o mesmo da adolescência — a dor é o que muda.

Curva torácica ou dupla (padrão AIS)
Progressão de ~1°/ano se Cobb >30° ao término do crescimento
Dor lombar por estenose de canal associada ao longo prazo
Tratamento conservador como primeira linha
Cirurgia indicada para progressão, dor refratária ou disfunção
Diagnóstico tardio

A jornada do adulto
que nunca soube.

Muitos adultos descobrem a escoliose por acidente — no raio-X de outra coisa. O caminho típico:

Adolescência
Nunca diagnosticado
Curva leve, assintomática. Rastreio escolar não existia ou não detectou.
20–40 anos
Dor lombar crônica
Tratado como "dor lombar inespecífica". Fisioterapia sem diagnóstico correto.
40–50 anos
Raio-X revela curva
RX por outro motivo mostra escoliose. Paciente "descobre" que tem a condição há décadas.
50+ anos
Tratamento tardio
Mais opções disponíveis do que parece. Conservador eficaz para maioria. Cirurgia seletiva.
Escada terapêutica

Tratamento no adulto.

Primeiro passo
Conservador ativo
A maioria dos adultos com escoliose é tratada de forma conservadora. O objetivo é diferente do adolescente: controle da dor e manutenção da função — não correção da curva.
Fisioterapia específica (PSSE adaptado para adulto)
Pilates clínico / fortalecimento core
Analgesia multimodal (AINEs, analgésicos)
Colete: raramente indicado no adulto
Infiltrações guiadas (articulações facetárias, forames)
Intervenção mínima
Procedimentos minimamente invasivos
Para dor neurológica (compressão radicular) associada à escoliose degenerativa, antes de considerar cirurgia de grande porte.
Bloqueio foraminal guiado (corticoide + anestésico)
Bloqueio de ramos mediais (facetárias)
Radiofrequência (pulsada ou contínua)
Epidural caudal em estenose associada
Cirurgia — seletiva
Artrodese no adulto
Indicada quando conservador falha, há progressão documentada, déficit neurológico ou desequilíbrio sagital incapacitante. Mais complexa que no adolescente — maior risco.
Fusão curta: descompressão focal + instrumentação limitada
Fusão longa: correção de desequilíbrio sagital global
Osteotomias (PSO, VCR) em deformidades rígidas
Abordagem combinada ALIF+TLIF+posterior: casos complexos
Nuances cirúrgicas

Cirurgia no adulto — diferenças
em relação ao adolescente.

Osso de qualidade diferente

Adultos frequentemente têm osteopenia ou osteoporose — que compromete a fixação dos parafusos pediculares. Avaliação de DMO pré-operatória é obrigatória. Parafusos cimentados (cemento PMMA) em osteoporose grave.

⚠ Taxa de afrouxamento de implante muito maior em adultos osteoporóticos. Terapia anti-osteoporótica pré-op (teriparatida) pode melhorar resultados.
Parâmetros sagitais críticos

No adulto, o desequilíbrio sagital (SVA, PI-LL mismatch) é preditor independente de dor e incapacidade — mais importante que a magnitude da curva em si. Planejamento sagital com EOS full-body é essencial.

✓ Meta cirúrgica: SVA <50mm · PT <20° · PI-LL ≤10°
Complicações mais frequentes

Taxa de complicações na cirurgia do adulto é substancialmente maior que na AIS adolescente. Pseudoartrose em 6,3% (vs. 1,8% na AIS). Proximal junctional kyphosis (PJK) em 20–40% dos casos de fusão longa.

⚠ Reoperação em 10–20% dos adultos operados. Discussão de riscos ainda mais importante que na AIS.
O debate "fusão curta vs. longa"

Fusão curta: menor morbidade, recuperação mais rápida, maior risco de progressão e ASD. Fusão longa: melhor correção do desequilíbrio, maior complicações perioperatórias, maior durabilidade. Sem resposta universal — individualizar.

✓ Tendência atual: fusão curta para estenose focal, longa para desequilíbrio sagital global significativo.